A harmonia da bossa nova – Parte 3

A harmonia da bossa nova – Parte 3

A bossa nova é conhecida por suas harmonias rebuscadas, por seu refinamento melódico e pelo seu “balanço”. Aprender a tocar nesse estilo musical requer um estudo específico de suas características estético-musicais. Nessa terceira parte do post, ao tratar da harmonia da bossa nova, apresento alguns clichês recorrentes e faremos alguns exemplos sobre o uso dos acordes diminutos. Aproveite, no final desse artigo, a música “Copacabana 62”, com sua partitura, seu vídeo e base áudio.

Nos artigos anteriores iniciamos o estudo das características harmônicas da bossa nova. Temos observado que sua harmonia resulta obtida através do emprego de notas que enriquecem os acordes, como nonas, sextas, décimas-terceiras, etc. Dissemos também que um olhar mais atento revela muitas coisas interessantes desse gênero musical.

Ainda, na parte 1 e na parte 2 deste artigo, dividimos o estudo da harmonia da bossa nova em três camadas, que resumirei a seguir:

  • Estudo por tipologias de acordes: cada tipo de acorde possui sonoridades e tratamentos característicos;
  • Estudo de clichê rítmico-harmônicos próprios do estilo;
  • Voicings que representam a sonoridade da bossa nova ao piano.
Bossa nova ao piano

Neste novo post iremos abordar outras características interessantes, como:

  • Clichês rítmico-harmônicos recorrentes
  • O uso do acorde diminuto
  • Por fim estudaremos uma nova música

1. Clichês rítmico-harmônicos recorrentes

Os clichês que apresento a seguir são caracterizados por encadeamentos de acordes por quintas descendentes:

Exemplo 1

Observe o desenho realizado pela nota mais aguda de cada acorde. Note que se estabelece uma descida cromática, composta pelas notas 13 e b13 de G7, e, sucessivamente, pelas notas 9 e b9 de C7.

O exemplo seguinte mostra uma pequena variação, que introduz um acorde de dominante sus4,9:

Exemplo 2

Observe a realização dos exemplos 1 e 2:

Encontramos o clichê do exemplo 2 na música “Wave” (Tom Jobim):

Esse tipo de clichê rítmico-harmônico pode se repetir, envolvendo uma sequência mais extensa de acordes. Veja os próximos dois exemplos:

Exemplo 3

O exemplo 4 introduz os acordes de dominante sus4,9:

Exemplo 4

Observe a realização dos exemplos 3 e 4:

2. O uso do acorde diminuto

Prosseguindo com o estudo das características harmônicas da bossa nova, podemos destacar o uso frequente de acordes diminutos. Vejamos os exemplos a seguir:

“Eu sei que vou te amar” (Tom Jobim e Vinicius de Moraes):

Eu-sei-que-vou-te-amar

“Wave” (Tom Jobim):

Wave-SEGUNDO

Há mais um acorde característico, que veremos aqui: o diminuto b13, esse bem característico da bossa nova. Vejamos os próximos exemplos:

“Corcovado” (Tom Jobim):

Corcovado

“Minha namorada” (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes):

Minha-Namorada

3. Uma música para nosso estudo:

Vamos colocar em prática as características que apresentei aqui numa música. Observem na “casa 1” o clichê rítmico-harmônico que estudamos antes:

Copacabana 62

Veja, a seguir, os voicings utilizados para o acompanhamento dessa música. Em seguida, encontra o vídeo com sua realização.

Divirtam-se bastante ao tocar essa música junto à sua base.

Até a próxima!!

Pianista, compositor, atua como professor e palestrante em instituições, festivais de música pelo Brasil e cursos de pós-graduação. Turi é Coordenador Pedagógico do Terra da Música e professor de alguns cursos online. É autor de métodos em livros e DVD. Em 2012, seu CD autoral “Interferências” foi publicado no Japão. Seu segundo CD faz uma releitura moderna de algumas composições do sambista Noel Rosa.

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