A música e o cérebro humano

A música e o cérebro humano

No mundo todo, muito se tem pesquisado e escrito sobre os benefícios de estudar música. Hoje este tema é abordado em diversos campos da ciência como na medicina, psicologia e pedagogia. Além das disciplinas tradicionalmente conhecidas dentro da música, destaca-se na área da Saúde a Musicoterapia, cujo objeto de estudo é a ação da música no indivíduo. A neurociência tem direcionado, nos últimos anos, boa parte de sua atenção aos estudos e pesquisas sobre as funções da música e as reações no cérebro humano.

Tais estudos também focam a importância da música no processo de aprendizagem, uma vez que ela é utilizada como canal de comunicação, linguagem, expressão artística, sociabilização, integração, melhora da dicção, etc.

Resgatando-se um pouco da história da música, observa-se que ela surgiu muito cedo na espécie humana, tão cedo quanto a linguagem. A música não é um subproduto da linguagem, mas está presente em todas as culturas e apresenta, nos seres humanos, aspectos únicos que não têm paralelo na linguagem. É preciso ver o ritmo como algo primordial na evolução humana porque todos os seres humanos respondem a ele.

Em uma entrevista para o “Globo Entrevista”, o Neurologista Britânico Oliver Sacks, afirma que a musicalidade é tão primordial à espécie quanto a linguagem e, entender a relação entre música e cérebro é crucial para a compreensão do homem. “De todos os animais, o homem é o único dotado de ritmo, capaz de responder à música com movimentos. É também o único a apresentar um cérebro adaptado para compreender complexas estruturas musicais e ainda se emocionar com elas. Músicos apresentam alterações em regiões cerebrais jamais vistas em outros profissionais”, diz Oliver.

Essa habilidade é particularmente humana. Mesmo pessoas que sofrem de mal de Alzheimer ou tiveram um derrame cerebral podem responder à música. Diferente do que se pensava no passado, tanto o hemisfério direito quanto o esquerdo possuem funções musicais. Não há um centro específico voltado para a música no cérebro, várias estruturas estão relacionadas a isso. Um dos maiores poderes da música é controlar, desenvolver e provocar respostas emocionais.

Anatomicamente, pode-se dizer que algumas regiões do cérebro afetadas pela música estão perto daquelas ligadas às emoções, tais como as percepções dos cheiros que despertam memórias. Porém ainda não está claro como essas respostas emocionais ocorrem e nem o quanto elas dependem da cultura do indivíduo. Há evidências de que a música pode levar a mudanças de estados de espírito pela alteração da química corporal. Seus efeitos também alteram a energia muscular promovendo ou inibindo o movimento corporal. Em se tratando do processo de aprendizagem, é nítido que uma criança “musicalizada”, ou seja, que tem acesso ao ensino e convívio musical terá mais afinidade para os sons.

Os estímulos recebidos ajudam o desenvolvimento das fibras nervosas capazes de ativar o cérebro e dotá-lo de habilidades. Pesquisas feitas em áreas cognitivas, motoras e percepção são conclusivas quanto às vantagens dos que estudam música, em todas elas é evidente que as atividades musicais melhoram as habilidades intelectuais vitais. Ao estudar música, o indivíduo além de realizar conexões neurais, também trabalha memória, criatividade, paciência, concentração, parte física e emocional, coordenação motora, sociabilização, espacialidade, temporalidade, entre outros.

É importante ressaltar que nunca é demasiado tarde para iniciar o estudo da música. É certo que o envelhecimento traz consigo algumas dificuldades e limitações, mas o potencial humano é algo extraordinário. Em geral, o adulto também possui resistência a tudo que representa mudança, o que pode desencorajá-lo a desenvolver sua aptidão musical. No entanto, é perfeitamente possível iniciar o processo de aprendizagem em qualquer idade. Faz-se necessário apenas um pouco de motivação e perseverança para alcançar ótimos resultados e há diversas experiências positivas neste sentido.

A música sempre fez e fará parte do ser humano. Tempo e espaço não permitem uma abordagem completa da percepção musical, mas os estudos realizados nos últimos cinquenta anos têm trazido à luz descobertas bastante significativas que apontam para uma conclusão indiscutível: as pessoas estarão muito melhor preparadas para conduzir a vida e superar os desafios mentais e emocionais se tiverem acesso à educação musical.

Fontes e referências

  1. “Alucinações musicais” (Autor: Oliver Sacks, Editora: Companhia das Letras).
  2. Dorothy Schullian e Max Schoen, Music and Medicine (New York: Henry Schuman, Inc, 1948), pp. 270, 271.
  3. www.companhiadascordas.com.br
  4. www.abemusica.com.br
  5. www.agencia.fapesp.br
  6. www.brain.oxfordjournals.org
  7. www.nlpanchorpoint.com

Autor: Igor Ortega Rodrigues

Músico Contrabaixista e Vocalista; Educador Musical Infantil; Graduando em Musicoterapia pela Faculdade Paulista de Artes (FPA); Cursando Especialização e Licenciatura em Artes pela Universidade Cruzeiro do Sul (UNICSUL).

Artigo publicado na Cover Baixo 01 (2015). Leia gratuitamente as edições da revista no site www.revistacoverbaixo.com.br

Pianista, compositor, atua como professor e palestrante em instituições, festivais de música pelo Brasil e cursos de pós-graduação. Turi é Coordenador Pedagógico do Terra da Música e professor de alguns cursos online. É autor de métodos em livros e DVD. Em 2012, seu CD autoral “Interferências” foi publicado no Japão. Seu segundo CD faz uma releitura moderna de algumas composições do sambista Noel Rosa.

Deixe uma resposta