Astor Piazzolla e Amelita Baltar: sobre amor e loucura

Astor Piazzolla e Amelita Baltar: sobre amor e loucura

Figura imprescindível da música do século XX, Astor Piazzolla (1921-1992) revolucionou definitivamente a maneira de se pensar e tocar o Tango argentino. É dele o disco que a coluna ‘Para ouvir’ de hoje sugere!

“¡Viva, viva los locos, que inventaron el amor!”

(Trecho de Balada para Un Loco, de Astor Piazzolla e Horacio Ferrer)

O rufar de uma caixa marcando precisamente um ritmo que soa como algo quase marcial. Quatro compassos depois, por sobre o rufar, acordes resolutos, martellati, intercalados por outros mais leves, quase “fantasmas”… Não é preciso muito tempo para perceber que tal sonoridade pertence a uma das mais brilhantes mentes musicais que a Argentina já produziu: Astor Piazzolla, que, com seu estilo único, marcaria um novo momento na história do Tango, revolucionando definitivamente sua maneira de ser pensado e tocado.

Para ser mais preciso, o rufar e os acordes descritos acima podem ser ouvidos na introdução de Preludio para El Año 3001 (ouça abaixo), faixa de abertura do álbum Piazzolla & Amelita Baltar (Lançado em 1994 pela A. Pagani S.R.L. Compilação de 12 canções gravadas no início dos anos 70). Nele, esta última, cantora, interpreta algumas das músicas de Astor Piazzolla sobre textos de poetas como Horacio Ferrer, Mario Trejo e Pablo Neruda.

O disco

Novamente, para ser mais preciso, das 12 canções que formam o disco, quase todas foram criadas em parceria com Horacio Ferrer, exceto por Pequeña Canción para Matilde, que surgiu de um poema de Pablo Neruda musicado por Piazzolla, e Violetas Populares, com música sobre palavras escritas por Mario Trejo.

Todas as outras são frutos da prolífica parceria Piazzolla-Ferrer, incluindo a célebre Balada para Un Loco.

Paixão

Se alguém, ou eu mesmo, me impusesse a impossível tarefa de definir a obra de Astor Piazzolla em uma palavra, esta palavra seria Paixão. Algo inefável parece sair de cada música sua, seja ela instrumental ou cantada. Parece que ele, por meio de uma técnica especial, é capaz de inserir toda a sua alma na música que cria e, assim, entrar em contato com o que há de mais profundo em cada um que com sua música tem contato.

Astor Piazzolla e seu bandoneón

Astor Piazzolla e seu bandoneón: uma das mais brilhantes mentes musicais que a Argentina já produziu.

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Editor chefe do Terra da Música, Elvio é formando em jornalismo. Estudou piano e flauta na Faculdade de Música do ES, dedicando-se ao piano erudito e popular. Sua vida se resume em encontrar tempo para se dedicar a todas as suas paixões: música, cinema, idiomas, literatura, jornalismo, psicanálise, e muitas outras.

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