Chico Buarque: O pretérito Onírico em “Agora eu era o herói”

Chico Buarque: O pretérito Onírico em “Agora eu era o herói”

Em alusão às brincadeiras infantis, a música ‘João e Maria’ de Chico Buarque traz no primeiro verso:

“Agora eu era o herói”

dentre outros uma certa estranheza temporal das palavras ‘Agora’ e ‘era’. Na verdade, há uma lógica cognitiva infantil compatível ao mundo da imaginação que extrapola as normas gramaticais.
Ou seja, enquanto a gramática contempla os sólidos tempos pretéritos (perfeito, imperfeito e mais-que-perfeito), a elaboração do mundo potencializada pela força criativa infantil derruba o limitado mundo adulto cartesiano e pragmático.
A tradução poética vertida pelos versos do quilate de Chico Buarque gerou um novo tempo verbal desconhecido aos mortais: o pretérito onírico.

Thiago Goulart é Professor de Literatura e estudante de jornalismo (Puc-SP), com ênfase em Jornalismo Cultural pela Unicamp.

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