Dica de batera #11: Toque aberto e fechado

Essa semana o assunto é técnicas de pés, especificamente vamos falar de uma técnica apresentada pelo baterista Oscar Bolão, no seu livro “O Batuque é um Privilégio”. Neste livro, Bolão apresenta uma forma bastante interessante de simular os toques abertos e fechados dos surdos das escolas de samba, no bumbo da bateria. Essa técnica é uma grande “carta na manga” que os bateristas tem para deixar o som das suas levadas mais interessantes.

Vamos começar pelo toque fechado, este, tem uma intenção de um toque com intensidade menor e que abafa o som da pele. O toque aberto, portanto seria o inverso, tem a intenção de funcionar como um toque com uma intensidade maior e que deixa a pele soando por um determinado tempo. O fato é que, combinando os dois, podemos criar ou simular levadas muito interessantes.

A partir desse objetivo, vamos isolar a prática de cada um dos movimentos para depois entender como os dois funcionam de maneira organizada, observe o estudo de toques fechados:

Agora, vamos fazer o mesmo exercício utilizando somente os toques abertos:

Intercalando os estudos, vamos praticar a sequência de um toque fechado e um toque aberto, posteriormente invertendo o estudo, colocando o toque aberto no tempo 1 e o toque fechado no tempo 2. É importante que pratique os estudos com o bumbo e também no pé do hi-hat.

Aplicando o conceito de toque aberto e fechado sobre diferentes ostinatos, podemos chegar a um domínio desse conceito e uma aplicação mais prática que podemos usar em levadas no nosso dia a dia. Observe como utilizo toques abertos e fechados para um ostinato de samba.

Aplicando o mesmo padrão do bumbo para o hi-hat, temos a ideia de surdo de primeira e segunda das escolas de samba, aplicado aos pés na bateria.

Para o Baião, podemos simular o som da Zabumba, que também possui toques abertos e fechados na sua pele grave (pele de cima da zabumba). Observe que os ostinatos tem a mesma rítmica aplicada ao bumbo, estamos mudando o pé do hi-hat para cada exemplo, buscando assim diferentes práticas para o estudo no instrumento.

Após praticar e estar seguro com esses toques nos pés, aplique o mesmo conceito e acrescente as mãos para a sua levada, registre em forma de áudio ou vídeo, de modo que possa conferir se esta aplicando corretamente a técnica de toques aberto e fechado no bumbo e hi-hat.

Abaixo estão algumas variações interessantes para o estudo dos ritmos brasileiros citados:

Variações de surdo de terceira no samba.

Além dos ritmos citados acima, podemos aplicar o conceito a diversos outros ritmos brasileiros, como é o caso do Xote. Em especial, o xote nos permite praticar esses toques de uma maneira mais tranquila, devido ao andamento em que as músicas acontecem ser um pouco mais lentas que o samba e o baião.

Diferentes formas de praticar

  1. Pratique somente o estudo de toque fechado e toque aberto com o metrônomo. Sugiro que comece estudo em 60 bpm;
  2. Depois que estiver confortável com a técnica dos pés, aplique a mão direita na condução, utilizando padrões de semínima, colcheia e semicolcheia;
  3. Pratique as variações de levadas separadamente, depois pratique com a condução nos padrões denominados no item 2;
  4. Aplique diferentes rudimentos nas mãos, como o paradiddle, toque duplo, toque simples sobre os ostinatos propostos para estudo com os pés;
  5. Registre seu estudo em vídeo para observar se esta utilizando a movimentação correta para os toques fechado e aberto.
  6. Olhe com mais calma o material de outras edições da série “Dicas de Batera”, todas as edições tem a indicação na escrita para toques fechados e toques abertos nos pés da bateria.

Aproveite o material e bons estudos!

Mestrando em Performance Musical pelo Programa de Pós Graduação em música da UFRJ. Pós-graduado em "Artes na Educação" pelo CESAP, Licenciado em Música pela UFES e formado pelo Curso de Formação Musical com ênfase em música Popular pela FAMES (2013). Atua como baterista e Percussionista profissional e como professor.

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