Dica de batera #3: o Samba na caixa surda

A dica da semana do baterista Arthur Teles é sobre o samba de caixa surda. Confira o vídeo e os exercícios propostos.

O samba é um ritmo popular brasileiro, que é considerado por muitos a principal identidade cultural do país. A bateria, no seu formato americano, foi introduzida no samba posteriormente ao uso da percussão. Entre os diversos nomes responsáveis por adaptar a bateria no samba, temos o nome de Luciano Perrone, baterista que se destacou por sua notória influência percussiva na forma de tocar bateria, destacava o uso das células rítmicas dos instrumentos de percussão, transpondo a sonoridade dos instrumentos da percussão para a bateria. Luciano, também foi responsável por introduzir as batidas de “caixa surda” (tocar a caixa com esteira desligada) no samba, batidas essas que eram, na época, consideradas como impraticáveis por outros bateristas.

Ao longo da história do samba na bateria, temos diferentes escolas ou referências históricas, outra vertente seria o baterista Edison Machado, com o samba de prato, alguns atribuem a invenção do samba de prato ao baterista Hildofredo Corêa, mas é fato que o Edison foi um dos grandes responsáveis por popularizar a nova forma de se tocar samba.

A forma como Luciano tocava o samba, é considerada como samba que utiliza mais os tambores que os pratos, reconhecida como “samba batucado” em alguns métodos de bateria brasileira. Baseado nessa influência de transpor a levada de instrumentos de percussão para a bateria, gerando assim levadas percussivas, o instrumento utilizado como voz principal é o repique, que no exercício está representado pela caixa surda da bateria, a segunda voz de apoio, são os surdos de 1ª e 2ª das escolas de samba, o surdo de primeira representado por um toque aberto no bumbo no tempo 2, e o surdo de 2a representado por um toque fechado no tempo 1.

O pé do hi-hat, entra como apoio da idéia dos surdos, dando força ao acento no tempo 2, característica marcante da percussão no samba.

Samba na caixa surda

Utilizar instrumentos de percussão, com suas respectivas levadas, para criar grooves e levadas novas e assim aumentar o seu vocabulário é essencial. É importante conhecer como cada instrumento de percussão funciona e quais são as levadas utilizadas em cada instrumento, antes de transpor a ideia para a bateria em diferentes vozes. Tocar o samba como batuque é um grande desafio, pois a coordenação é sempre algo complexo, devido a extrema riqueza das células rítmicas da percussão do samba.

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Busque praticar de diferentes formas:

 

  1. Respeite a manulação escrita, ela é necessária para a sonoridade da levada.
  2. Entenda que o repique é um instrumento que tem função de solista nas escolas de samba, os surdos de 1ª e 2ª são o “chão” da levada.
  3. Busque escutar em discos, como é a sonoridade desses instrumentos de percussão tocando essas levadas. Recomendo ouvir os discos “Batucada Fantástica volume 1 e 3” – Luciano Perrone.
  4. Transcreva outros instrumentos de percussão e depois passe as levadas dos mesmos para a bateria, você pode criar levadas a duas, três ou até mesmo 4 vozes para a bateria.

A percussão é um excelente caminho para inovar suas idéias e desenvolver o seu vocabulário dentro dos ritmos brasileiros.

Aproveite o material e bons estudos!

Mestrando em Performance Musical pelo Programa de Pós Graduação em música da UFRJ. Pós-graduado em "Artes na Educação" pelo CESAP, Licenciado em Música pela UFES e formado pelo Curso de Formação Musical com ênfase em música Popular pela FAMES (2013). Atua como baterista e Percussionista profissional e como professor.

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