Dicas de como timbrar a guitarra – Parte 1

Dicas de como timbrar a guitarra – Parte 1

Por ser um instrumento extremamente versátil, a guitarra pode ser utilizada nos mais variados estilos musicais, e é capaz de produzir um grande número de timbres e texturas.

É um instrumento rico em expressividade, interpretação e manipulação (técnicas), podendo improvisar melodicamente como um trompete e um saxofone ou cumprir a função harmônica acompanhando cantores ou instrumentistas e, apesar de ser limitado em nível de tessitura, é rico em recursos técnicos e timbrísticos, soando muitas vezes de maneira inusitada. Vamos então às dicas para timbrar a guitarra e aprender como tirar o melhor de nosso instrumento.

Um detalhe muito importante que devemos observar é que o timbre não vem só dos equipamentos (guitarra, amplificador e efeitos), mas principalmente da mão (pegada, execução), da cabeça (saber aonde se quer chegar) e do ambiente (acústica).

Vamos abordar alguns princípios que vão nos ajudar a entender um pouco mais as etapas presentes na elaboração da sonoridade que queremos, e a relação entre equipamento, músico e ambiente.

Timbre bom X Timbre ruim

Um bom timbre é aquele que melhor se adequa ao contexto musical. Muitos “timbres” ouvidos de forma isolada são lindos, mas quando somados aos outros instrumentos, simplesmente “somem” na mixagem ou acabam “sujando” o som de forma geral. Na maior parte das vezes isso acontece porque o instrumentista equaliza sem pensar como instrumento vai soar no todo, junto com os outros instrumentos, então algumas frequências que são comuns a vários instrumentos da banda acabam se somando e se excedendo.

Equipamento X O lugar de cada timbre

Outro ponto importante que temos que observar, é que cada instrumento, cada timbre, cada pedal, em fim, cada equipamento, tem o seu devido lugar. Uma guitarra semiacústica, por exemplo, soa melhor em estilos que não trabalhem com altos níveis de distorção, como jazz, mpb, blues etc. Já uma guitarra Les Paul com captadores ativos soará perfeita para sons pesados como o heavy metal.

Um violão com cordas de nylon soa melhor em estilos como clássico e bossa nova, enquanto um violão jumbo com cordas de aço soa melhor em estilos como pop rock e folk.

Referências sonoras

Se você sabe aonde quer chegar, escolher o melhor caminho fica bem mais fácil, por isso é muito importante ter uma referência na hora de timbrar um instrumento. Um dos fatores determinantes nesse sentido é o estilo musical. O tipo de equalização, microfonação, efeitos e até a mixagem usada, variam de um estilo para o outro. O ideal é tentar enquadrar ao máximo, o timbre do instrumento “dentro” do estilo. São vários os fatores que influenciam nesse ponto: peso, equalização, “pegada” do músico, definição, ambiência, e etc. Então é de vital importância ter uma referência do timbre que queremos projetar, pois isso, além de facilitar as coisas, ajuda a contextualizar a sonoridade obtida e adequá-la ao estilo.

Palcos pequenos

Num palco pequeno de um pub, bar ou igreja, geralmente o amplificador tem duas funções, a de monitor e também de mandar o som para o público. Nesse caso, o ideal é um amplificador de maior potência, sendo indicado combos de tamanho médio a grande, e de no mínimo 20 watts para cima se forem valvulados. Se forem transistorizados no mínimo 30. Uma dica é posicionar o amp mais ao fundo do palco, pois dessa forma o som vai se propagar melhor pelo ambiente.

Palcos médios

Num palco de médio porte, geralmente temos a opção de microfonar o amplificador. A dica aqui é posicionar o amp “apontado” para os ouvidos do músico. Pode-se até usar suportes próprios para isso existentes no mercado. Como não há a preocupação de mandar o som para o público (já que o amp será microfonado), o amplificador irá trabalhar exclusivamente como monitor. Um erro muito comum é posicionar o amplificador no chão, logo atrás do músico, apontado pra as pernas. Dessa forma o músico não irá ouvir com clareza os agudos e os médios, tendo a impressão que o timbre está abafado, sem brilho. Isto se dá por causa do efeito de direcionalidade do alto falante. A reação mais comum nesses casos é o músico acentuar os agudos, deixando o timbre mais “estridente” pra quem está mais longe do amplificador.

Palcos grandes

Em palcos grandes é mais comum nos depararmos com bons sistemas e equipamentos de áudio. Nesse caso o músico pode escolher a melhor posição do amp que será devidamente microfonado. Caso o músico necessite de mais volume no palco, o sistema de monitoração se encarrega disso. Devemos lembrar que para quem prefere usar amplificadores no palco (existe a opção de ligar a guitarra direta na mesa passando por um DI ou simulador e até notebook), quanto maior o palco, maior deve ser a potência do amp. Nesse caso um half stack (cabeçote e uma caixa acústica 4 x 12) é uma boa dica. Existem caixas 4×12 inclinadas, onde os falantes superiores estarão projetando para cima, em direção aos ouvidos do músico, enquanto os falantes inferiores estarão projetando o som para frente. Uma dica aqui é o músico ficar um pouco mais distante do amplificador, já que ele (o músico), acaba ficando de costas para os alto falantes e a anatomia das orelhas acabam bloqueando o som e absorvendo algumas frequências, principalmente os agudos.

Simuladores

Muito em voga nos dias de hoje os simuladores são ótimas ferramentas para conseguir timbres bacanas, principalmente quando não temos um bom amplificador, sendo necessário ligarmos o instrumento em linha, direto na mesa. Existem vários modelos e marcas no mercado que fazem basicamente a mesma coisa.

Além das simulações de amplificadores clássicos como Marshall, Fender e Mesa Boogie entre outros, a maioria dos modelos conta com simulações dos posicionamentos de microfone mais usados em gravações, e simulações de alto falantes e caixas acústicas, além de chaves que selecionam as simulações citadas acima. Um dos modelos mais famosos é o POD da Line 6.

Outra opção legal são os softwares para PC/Notebook (Plugins VST), como o Amplitube o o Guitar Rig por exemplo, que contam com inúmeras simulações de amps, caixas, pedais de efeito e microfones para guitarra e baixo. Veja abaixo dois vídeos demonstrativos desses dois softwares.

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