A influência do Blues no Rock and Roll (parte II)

A influência do Blues no Rock and Roll (parte II)

 

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Rock and Roll

A expressão ‘Rock and Roll’ era originalmente usada por marinheiros, pelo que sabemos, já no século XVII, para descrever o balançar (para frente e para trás) e rolar (de um lado para o outro) de um navio no oceano. Isso adquiriu conotações sexuais provavelmente a partir do início do século XIX.

No início do século XX, as palavras eram cada vez mais utilizadas em conjunto, como gíria, com um duplo significado, aparentemente se referindo a dança e festas, e muitas vezes com o significado subtextual de sexo.

Do ponto de vista formal, a clássica forma de 12 compassos (veja figura abaixo), com seus acordes (I7 – IV7 – V7) e suas modificações, está à base de muitas músicas de Rock and Roll.

Ao piano, os acompanhamentos da mão esquerda são provenientes do Boogie-Woogie, não mais muito “tercinados”, mas sim, mais “retos”, com oitavas (ou oitavas + uma quinta) na mão direta que marca todas as colcheias (exemplo abaixo).

Uma característica do piano rock and roll é a dos “glissandos” (pianistas, para aprofundarem esses estudos no instrumento e para aprenderem a tocar esses estilos, vejam o Curso Online de Piano Blues e Boogie).

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Nasce o Rhythm and Blues

No final de 1940 surge o Rhythm and Blues, um gênero que misturava Blues com elementos Gospel e Soul, e que será um dos precursores do Rock and Roll.

O pianista Fats Domino foi um dos representantes do Rhythm and Blues.

(Para aprofundar a biografia e a discografia de Fats Domino clique aqui)

Vejamos abaixo uma sua levada característica ao piano:

Um dos grandes músicos de Rhythm and Blues que fez a transição para o Rock and Roll foi Chuck Berry.

Muitos o apontam como o criador do Rock and Roll. Apesar de ninguém poder garantir que criou o Rock and Roll sozinho, já que o estilo foi produto de um contexto do pós-guerra nos EUA e da mistura de Jump Blues e R&B feita por vários músicos afro-americanos naquele período, podemos dizer que Chuck Berry é, sem dúvida, um dos maiores pioneiros do estilo.

A seguir, podemos assistir à famosa ‘Johnny B-Goode’.

Podemos observar a transição do Boogie-Woogie para o Rock and Roll na famosa música ‘Tutti Frutti’ do pianista Little Richard, eleito pela revista Rolling Stone o 8º maior artista de todos os tempos. A música foi gravada pela primeira vez por ele em 1955. Elvis Presley gravou também uma versão.

Outro clássico do Rock and Roll composto na clássica forma de Blues de 12 compassos é ‘Rock around the clock’, composta por Bill Haley em 1953 e gravado em 1954. Inicialmente, a música não obteve sucesso, mas Haley logo alcançaria fama mundial com sua versão de ‘Shake, Rattle and Roll’ de Big Joe Turner, com a qual venderia milhões de cópias. Quando ‘Rock Around the Clock’ apareceu na trilha sonora do filme BlackBoard Jungle, desencadeou uma revolução musical que abriu as portas para talentos como Elvis Presley. Haley continuou a emplacar sucessos nos anos 50, como ‘See You Later Alligator’, e estrelou o primeiro musical cinematográfico de Rock and Roll. Sua fama logo seria ultrapassada nos EUA pelo mais famoso e mais sexy Elvis, mas Haley continuaria a ser um grande astro até os anos 60, especialmente na Europa.

O ano de 1953 foi muito prolífico de grandes sucessos discográficos. Um deles foi ‘Mess Around’, um dos primeiros ‘hits’ de Ray Charles.

ATENÇÃO pianistas para o baixo em oitavas alternadas na mão esquerda, desenho típico de Boogie-Woogie. A forma dessa música é também de 12 compassos e baseada nos três acordes principais (I-IV-V).

Mas nem sempre da estrutura clássica vive a música! Mesmo assim, a influência do Blues, de suas “blue notes”, de suas melodias, é sempre evidente.

Na música ‘Hit the road Jack’ (baseada na cadência frígia) encontramos elementos Gospel e Blues. Gravada em 1961, a música ganhou um Grammy como melhor música de Rhythm and Blues.

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Veja também o Módulo 2 do Curso Online de Piano Blues e Boogie

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Turi Collura é pianista, compositor, músico profissional. Atua como professor em Cursos de Pós-Graduação, em Conservatórios e Festivais de música pelo Brasil e no exterior.Formado na Itália em Disciplinas da Música (Bolonha) e na Escola de Jazz (Milão), é Mestre pela UFES, e Pós-graduado pela mesma Instituição.Turi é Coordenador Pedagógico do Terra da Música e Professor de alguns cursos online. É autor de métodos em livros e DVD (Improvisação, Piano Bossa Nova, Rítmica e Levadas Brasileiras para Piano), alguns dos quais publicados pela Editora Irmãos Vitale e com tradução em inglês.Ativo na cena musical como solista, músico de estúdio e arranjador, tem participado da gravação/produção de diversos discos. Em 2012, seu CD autoral “Interferências” ganhou uma versão japonesa. Seu segundo CD faz uma releitura moderna de algumas composições do sambista Noel Rosa.

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