Escalas blues para a improvisação em “Blue Bossa”

Escalas blues para a improvisação em “Blue Bossa”

Além do contexto do blues propriamente dito, escalas e sonoridades blues podem ser utilizadas para improvisar sobre músicas tonais. Neste post, vamos ver algumas possibilidades de aplicação disso sobre a música “Blue Bossa”, um standard bem conhecido de Kenny Dorham.

Mesmo fora de um contexto blues, podemos utilizar escalas e sonoridades blues para nossas criações melódicas extemporâneas. Com o termo “sonoridade blues” me refiro a uma série de frases que fazem parte da linguagem idiomática do blues.

Primeiras escalas para a improvisação em “Blue Bossa”
Para a nossa atividade, vamos trabalhar, inicialmente, com duas escalas, a escala pentatônica menor e a escala penta-blues menor:

Podemos utilizar essas duas escalas sobre vários acordes da música Blue Bossa: Cm, Fm7, Dm7(b5) e G7(b13). A imagem a seguir mostra a música e os compassos em que podemos utilizar as escalas e a sonoridade blues, observe as áreas dentro dos quadrados azuis:

Vamos logo a um vídeo em que demonstro a aplicação dessas escalas na música:

Podemos observar que as duas escalas apresentadas se aplicam a 75% dos acordes da música!

Vantagem: Utilizar duas escalas em vários acordes nos oferece a possibilidade de uma continuidade melódica e de uma sonoridade bem característica.

Desvantagem: depois de alguns chorus de improviso, a sonoridade resulta um pouco limitada. Parece que ficamos repetindo sempre as mesmas ideias.

Enriquecendo a sonoridade blues

Como superar a desvantagem citada anteriormente? Na segunda parte do vídeo acima, introduzi uma nova escala para nossas criações extemporâneas. Sobre os acordes de Fm7 e Dm7(b5) utilizei as escalas pentatônica e penta-blues menor de Fá:

 

A escala penta-blues menor com o 6º grau

Uma variação interessante para a escala penta-blues menor é a de substituir seu 7º grau com o 6º. Veja a figura a seguir:

A introdução dessa nova escala amplia as sonoridades blues à nossa disposição. A imagem a seguir mostra as possibilidades de escalas sobre cada acorde.

Observando as escalas utilizadas para a improvisação em “Blue Bossa”

Sobre Cm podemos usar ambas as escalas (1-b3-4-5-b7 e 1-b3-4-5-6) a partir de Dó.

Sobre Fm podemos usar as escalas 1-b3-4-5-b7 e 1-b3-4-5-6 a partir de Fá. Podemos usar, ainda, Cm penta-menor. Não podemos usar a escala de Cm penta-menor com 6º grau sobre esse acorde. De fato, ela contém a nota lá natural, que choca com o 3º grau do acorde.

Sobre Dm7(b5) podemos usar ambas as escalas (1-b3-4-5-b7 e 1-b3-4-5-6) a partir de Dó.

Sobre G7 usamos Cm penta-menor.

Sobre a sequência Ebm7 – Ab7 – Db7M usamos a escala maior de Db ou sua escala pentatônica maior.

Espero que gostem dessas sonoridades, agora é a sua vez de praticá-las. Bons improvisos!

Turi Collura é pianista, compositor, músico profissional. Atua como professor em Cursos de Pós-Graduação, em Conservatórios e Festivais de música pelo Brasil e no exterior.Formado na Itália em Disciplinas da Música (Bolonha) e na Escola de Jazz (Milão), é Mestre pela UFES, e Pós-graduado pela mesma Instituição.Turi é Coordenador Pedagógico do Terra da Música e Professor de alguns cursos online. É autor de métodos em livros e DVD (Improvisação, Piano Bossa Nova, Rítmica e Levadas Brasileiras para Piano), alguns dos quais publicados pela Editora Irmãos Vitale e com tradução em inglês.Ativo na cena musical como solista, músico de estúdio e arranjador, tem participado da gravação/produção de diversos discos. Em 2012, seu CD autoral “Interferências” ganhou uma versão japonesa. Seu segundo CD faz uma releitura moderna de algumas composições do sambista Noel Rosa.

Deixe uma resposta