Trilha sonora: a música do filme ‘Ghost in the shell’

Trilha sonora: a música do filme ‘Ghost in the shell’

Em 31 de março de 2017 estreou, nas salas de cinema, o filme “Ghost in the shell“, cuja atriz principal é a linda Scarlett Johansson. Mas esqueça o cabelo louro e comprido de outros filmes, pois a Scarlett que impersonifica Motoko Kusanagi, um cyborg com cérebro humano, se parece com a personagem dos desenhos japoneses originais.


‘Ghost in the shell’ nasce em 1989 no Japão, inicialmente como desenho manga, e logo conquista milhões de fãs. A ideia original provém do livro do filósofo Arthur Koestler intitulado ‘The ghost in the machine’, de 1967. Desde então, a história conta 3 animações, uma série TV e 3 videogames! Mas é somente em 1995 que ‘Ghost in the shell’ conquista o mundo, quando sai uma animação muito interessante (1 hora e 22 minutos), sobre a qual o filme de 2017 se baseia.

A música de “Ghost in the shell

Vamos começar pela trilha sonora da animação de 1995, assinada pelo compositor japonês Kenji Kawai. A trilha marcou, e com razão, a memória do grande público que curtiu o filme. Para o tema principal, Kawai tentou resumir a essência do mundo futurista da história mesclando música japonesa com outros elementos. O tema de abertura, ‘Making of a Cyborg’ é uma mistura de harmonia búlgara com elementos da música tradicional japonesa; o coro canta uma música de casamento usada na tradição japonesa para dissipar as más influências. Kawai, inicialmente, queria usar vozes búlgaras originais, mas acabou usando cantores populares japoneses. Ouça no vídeo a seguir.

A música ‘See you Everyday’ é diferente do resto da trilha sonora, sendo uma canção pop cantada em cantonês por fang Ka Wing. Bem no estilo “desenho animado japonês”, ouça:

O tema de encerramento da versão em inglês do filme é ‘One minute warning’, de um grupo chamado ‘Passengers’, fruto de uma colaboração entre a banda U2 e Brian Eno para produzir músicas que poderiam ser utilizadas no cinema. A canção ‘One minute warning’ está contida no álbum ‘Original Soundtracks 1’, e foi uma das três músicas desse álbum a ser, de fato, usada em um filme. Observamos, de passagem, que Andy Frain, o fundador da Manga Entertainment e produtor executivo do filme, era um ex-diretor de marketing da Island Records, a gravadora que publica as músicas do U2.


O filme de 2017 faz muitas referências ao desenho de 1995. Observe as cores desta imagem:

 

A música de 2017

O filme do terceiro milênio foi um grande investimento de efeitos gráficos que nos fazem lembrar o ambiente ‘Matrix’, com seus ‘slow motions’. Mas não foram somente os recursos visuais que evoluíram, ao longo dos 22 anos que separam o anime japonês da nova película produzida nos EUA. Os efeitos sonoros “bombásticos” acompanham perfeitamente as cenas modernas. Logo, no começo do filme e depois aqui e ali, o ouvinte atento percebe citações do antigo ‘Making of de um Cyborg’. A escolha das músicas para o novo filme ficou a cargo de Clint Mansell e Lorne Balfe, que selecionaram trabalhos de vários autores. A sonoridade, obviamente, é rigorosamente eletrônica:

1. Utai IV: Reawakening (Steve Aoki Remix) – Kenji Kawai
2. The Hacker – Johnny Jewel
3. Cathryn’s Peak – Boys Noize
4. Scars – DJ Shadow feat. Nils Frahm
5. Surge – Above & Beyond
6. Aokigahara Forest – io echo
7. Escape – Tricky
8. Enjoy the Silence – Ki:Theory
9. Free Fall – Johnny Jewel
10. Bed of Thorns – Gary Numan
11. The Key – Johnny Jewel
12. Utai IV: Reawakening – Kenji Kawai

A essas músicas juntam-se outras secundárias utilizadas, em pequenos trechos, aqui e ali.

Destacamos aqui duas músicas do grupo das principais:

Scars: DJ Shadow feat. Nils Frahm

Surge – Above & Beyond

Mas não poderia faltar a música de Kenji Kawai, agora em uma versão Remix, estrategicamente colocada no filme. Quer saber quando é utilizada? Corre ao cinema.

 

A música original de Kawai tornou-se famosa no mundo, quem sabe irá sobreviver ao Remix mais recente. Eis uma versão posterior a 1995, pelas mãos do próprio compositor.

Turi Collura é pianista, compositor, músico profissional. Atua como professor em Cursos de Pós-Graduação, em Conservatórios e Festivais de música pelo Brasil e no exterior.Formado na Itália em Disciplinas da Música (Bolonha) e na Escola de Jazz (Milão), é Mestre pela UFES, e Pós-graduado pela mesma Instituição.Turi é Coordenador Pedagógico do Terra da Música e Professor de alguns cursos online. É autor de métodos em livros e DVD (Improvisação, Piano Bossa Nova, Rítmica e Levadas Brasileiras para Piano), alguns dos quais publicados pela Editora Irmãos Vitale e com tradução em inglês.Ativo na cena musical como solista, músico de estúdio e arranjador, tem participado da gravação/produção de diversos discos. Em 2012, seu CD autoral “Interferências” ganhou uma versão japonesa. Seu segundo CD faz uma releitura moderna de algumas composições do sambista Noel Rosa.

Deixe uma resposta