Milonga: o poema e a música na tradição gaúcha

Milonga: o poema e a música na tradição gaúcha

Estilo musical e de dança tipicamente gaúcho, a Milonga é um dos ritmos mais apreciados no Rio Grande do Sul, tendo, desde seu surgimento até os dias atuais, se modificado, assumindo diversas variações. Conheça um pouco da história da Milonga no artigo de Andressa Zoi Nathanailidis!

Originária da Habanera, a Milonga é um estilo musical que nasce na Argentina, à segunda metade do século XIX, expandindo-se para Uruguai e Brasil, em função das proximidades fronteiriças.

No Brasil, o estilo integra a cultura gaúcha, tendo sido a primeira “milonga brasileira” gravada em 1968: a Milonga do Bem Querer, composição de Cláudio Pinto, cuja performance coube ao Trio Farroupilha, renomado difusor desse estilo musical no país. A composição serviu para inspirar muitas outras peças que atestam ser a Milonga, hoje, um dos ritmos favoritos no Rio Grande do Sul.

Tradicional execução em meio às “payadas – eventos de improvisação poética, nos quais a poesia oral é performada em conjunto com o acompanhamento de violão ou guitarra -, a Milonga é, geralmente, uma música escrita em compassos quaternários e desenvolvida por meio de tonalidades menores, com andamentos lentos.

Apesar disso, atualmente, a Milonga tem assumido diversas variações. Embora existentes em menor quantidade, tais variações chamam atenção por trazerem novas propostas, frutos dos hibridismos estabelecidos entre o modelo original e as múltiplas tradições conservadas no país.

Além da guitarra e do violão, hoje as performances integram também outros instrumentos, como, por exemplo, a flauta, o violino e a sanfona. Também já são conhecidas composições de ritmo um pouco mais acelerado, cuja inspiração parte de outros estilos, a exemplo do Candomblé, do Jazz e do Samba. Entre as variações há, inclusive, aquelas desenvolvidas em tonalidade maior que contam com escalas menores em sua estrutura, o que passa ao ouvinte a impressão dolente, de certa melancolia.

O termo “milonga“, cuja etimologia decorre do idioma bundo-congolense (presente em Angola e Congo, respectivamente), significa “palavra”. Além da canção popular regionalista, serve para designar a dança associada a tal estilo musical: geralmente instituída em passos lentos e largos, que se assemelham muito ao Tango argentino.

Dentre os compositores desse estilo musical, destacam-se no país: Victor Ramil e Renato Borghetti.

(Ouça abaixo uma composição de Victor Ramil, um dos principais expoentes da Milonga no Brasil atualmente)


Professora da Universidade Vila Velha- UVV/ES, onde ministra disciplinas relacionadas à literatura e produção de gêneros textuais, tem atuado também como pesquisadora, seguindo a vertente “Música, Comunicação e Sociedade”. Andressa é Doutora em Letras pela Universidade Federal do Espírito Santo, onde também cursou mestrado e especialização na referida área. Graduada em Jornalismo (UVV/ES), Direito (UVV/ES) e Música (Faculdade de Música do Espírito Santo) é autora dos livros “Achilles Vivacqua : vida e obra” (2008) e “ζωή [vida]” ( 2014).

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