“Pelo telefone”: partitura do ‘primeiro samba’ completa 100 anos

“Pelo telefone”: partitura do ‘primeiro samba’ completa 100 anos

No dia primeiro de novembro de 1916 a partitura do primeiro samba a ser gravado era finalizada. Mas você sabe para qual instrumento ela foi originalmente escrita? E quem acredita-se que tenha sido o responsável por escrevê-la? Não? Então veja no texto abaixo, que ainda te fornece o link para a partitura original digitalizada!

Hoje, primeiro de novembro de 2016, é um dia de comemoração para a música brasileira: completam-se exatos cem anos desde que a canção Pelo Telefone, considerada por muitos o “primeiro samba”, foi escrita em partitura. A responsável pela descoberta foi a pesquisadora Susana Martins, que em 2007 encontrou o documento enquanto trabalhava no inventário dos arquivos da Divisão de Música da Biblioteca Nacional (BN).

O achado é de suma importância para a história da identidade musical brasileira, uma vez que Pelo Telefone foi a primeira música a ser registrada e gravada como samba e assumida como tal. Além disso, como afirma a matéria publicada no site da Revista de História da BN no dia 9 de setembro de 2007, “Pelo Telefone marcou a história por ter sido também o primeiro samba a lograr um grande sucesso popular. Agitou o carnaval de 1917, e foi tão espetacular o seu êxito que várias paródias logo foram criadas, e este virou até anúncio da cerveja Fidalga, publicado em diversos jornais”.

Pelo Telephone – Samba Carnavalesco

Ao vermos a partitura, que em sua capa traz escrito: “Pelo Thelephone – Samba Carnavalesco”, uma curiosidade que notamos é que ela foi escrita com arranjo para piano. Alguns pesquisadores afirmam que foi Alfredo da Rocha Viana Filho, o Pixinguinha, quem a escreveu. Porém, não é possível garantir com cem por cento de certeza que tenha de fato sido ele.

Alfredo da Rocha Viana Filho, o PIXINGUINHA.

Acredita-se que tenha sido Pixinguinha o responsável por escrever a partitura de Pelo Telefone (Imagem: Instituto Moreira Salles)

Outra informação curiosa que se pode notar é que, acima da data “Rio, 1 de novembro de 1916”, a autoria é de Ernesto dos Santos, o Donga, parceiro de Pixinguinha nos Oito Batutas, grupo musical formado por este em 1919. Muita polêmica girou em torno da questão de quem tenha sido o verdadeiro autor da música Pelo Telefone, uma vez que ela foi reclamada por outros compositores tais como Baiano, Tia Ciata e Sinhô.

Isso porque o contexto em que foi criada não foi aquele do compositor sozinho a escrever a obra junto de seu instrumento, mas sim o das as rodas de samba que aconteciam na casa da Tia Ciata, que reuniam vários músicos e compositores.

Da esquerda para a direita: Pixinguinha, João da Baiana e Donga

Seja como for, ainda que esta seja uma dúvida que continue a intrigar pesquisadores, foi Donga o primeiro a registrar a partitura, no dia 27 de novembro de 1916.

A partitura original digitalizada de Pelo Telefone encontra-se disponível para consulta no site da Biblioteca Nacional. Para acessá-la diretamente, clique aqui.

Ao longo dos anos, Pelo Telefone foi gravada e interpretada por vários artistas, que apesar de terem dado uma roupagem mais “moderna” à canção, jamais negligenciaram a essência da música.

Veja abaixo algumas gravações, começando pelo lendário primeiro registro de 1917, no qual o samba é interpretado pelo cantor Baiano:

57 anos depois, em 1974, ano do falecimento de Donga, era lançado o álbum A Música de Donga, que trouxe Pelo Telefone interpretada por Almirante, outra figura marcante da “época de ouro” do rádio brasileiro:

Um ano antes, em 1973, Martinho da Vila lançava o disco Origens: Pelo Telefone (A Ernesto dos Santos – Donga), no qual apresentava uma linda versão do samba:

Por fim, vejamos um precioso registro em vídeo dos anos 60 que reúne Donga, Pixinguinha, Chico Buarque e Hebe Camargo ao som de Pelo Telefone:

Editor chefe do Terra da Música, Elvio é formando em jornalismo. Estudou piano e flauta na Faculdade de Música do ES, dedicando-se ao piano erudito e popular. Sua vida se resume em encontrar tempo para se dedicar a todas as suas paixões: música, cinema, idiomas, literatura, jornalismo, psicanálise, e muitas outras.

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